Maria Poesia

Sonhos, Poesia e Psicologia

Textos


Em análises de sonhos é muito frequente a pontuação de que nosso inconsciente nos mostra a necessidade de conhecer a “vontade” da nossa alma, como sendo um dos motivos dos sonhos.(Adequar nossa vida cotidiana, com o que nossa alma quer da gente).
Recebo questionamentos/depoimentos  de como poderiam saber qual é o desejo da sua alma, se nem sequer sabem o que ela ( a alma) significa.
Então meu artigo, não terá nenhum sentido religioso, me perdoem, não pretendo ferir suscetibilidades de ninguém, respeito todas as religiões, mas meu texto terá como constructo a Psicologia analítica de Carl Gustav Jung.
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Viver com alma é ter para com a vida uma relação de inteireza, de profundidade e aprofundamento da existência.
A alma é criativa por natureza, como os olhos atentos de uma criança a observar o mundo e imaginar possibilidades.

Nossa alma é nossa essência pura, sem maldade, se escolhemos ter orgulho, inveja, arrogância, egoísmo, escolhemos nos afastar da nossa alma, e isso gera medo, insegurança, porque longe de nossa essência (que é só o BEM), o que sobra é o vazio existencial e a sensação de não pertenciamento à vida.
E nossa “energia” então é concentrada em “coisas” (externas ) como se a gente precisasse se “agarrar”a alguma coisa para entrar,pertencer à vida (ao mundo) 
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Nossa alma é uma dançarina fascinante que precisa de nossa parceria, pois se não aceitarmos seu convite pra dançar na vida com ela, paralisamos, ficamos esvaziados, ressequidos e desumanos.
Ela (nossa alma ) pensa através da nossa imaginação. Sem tempo e espaço ela inspira, respira, transpira, faz, desfaz, refaz, põe, compõe, repõe, desloca, coloca, evoca, e nos provoca.
O tempo inteiro.

É a alma que nos permite um olhar poético sobre o mundo.
E nossa  história é uma “saga” na busca de nossa alma, de ser parceiro(a) dessa bailarina, mesmo quando nem consciência disto temos.
Somos um  potencial em imaginação e criatividade. A vida em si  não prioriza “essa dança”, é materialista, burocrática, opaca, congruente, lógica e racional.
É nossa alma que  tem o dom da relação com a divindade.
Ora é a alma ingênua e doce que tudo ignora, ora é a alma sábia, que tudo revela, que tudo sabe.
Ora é intensa e visceral, ora é estática ou descansa feliz após os nossos movimentos e ritmos divinos, mas vez por outra repousa também infeliz, tendo os pés machucados ou doloridos, quando nós a pisamos com nossas teimosias e traições. (de querer ser o que não somos)
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Quando sabemos qual é nosso propósito na vida, o trabalho da Alma o realiza da melhor maneira possível através do nosso corpo.
Vou repetir:
Quando sabemos qual é nosso propósito na vida, o trabalho da Alma o realiza da melhor maneira possível através do nosso corpo.

Então a primeira pergunta que devemos nos fazer antes deste entendimento,é:
-Qual é o meu propósito nesta vida?

Porque todas as nossas ações são manifestações da alma,
mas através do corpo.
É nossa alma que realiza nosso destino, nossos objetivos, nossos propósitos.  
Não veremos a manifestação da alma em seres humanos em estado neuro-vegetativo, em coma, sob efeito de anestesias.

Enquanto escrevo este texto, estou fazendo isto com a minha alma, mas através de meus olhos/ dedos (meu corpo ) e lembranças do que li, estudei  (mente ) e do que vivi e do que sou.(minha alma )

Então percebam a integração:
corpo- mente- alma.
Sem ela, (sem a alma), talvez só pudesse olhar as letras, possivelmente lê-las, mas sem absorver nada, eu não as teria nem elaborado, nem vivido, para poder ter a capacidade de transmitir meu pensamento, sem sentir, pensar e formular estas colocações.
(Elas não teriam “sentido” pois seriam estáticas, sem VIDA, pois eu não as teria vivido antes em mim )

Assim, a alma se manifesta através de várias maneiras - através do olhar, do tom e tonalidade da fala, dos gestos, das escolhas (
quaisquer que sejam, em qualquer nível).

Ah...... importantíssimo.....

MENTE NÃO É ALMA....

Mente é um produto dos pensamentos em contraposição a produção corporal.
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Quando, por volta de 1914, Jung confrontou seu próprio inconsciente, no período em que ficou recluso, sua psicologia adquiriu alma.

A partir de então, Jung entende a realidade da diferença, isto é, postula a idéia de que cada pessoa irá atuar de modo diferente, a partir da combinação de seus componentes conscientes (o que se conhece de nós ) e inconscientes (o que não se conhece de nós mesmos ).

O que antes era disposto nos moldes tímidos da linguagem científica, passa a ganhar maleabilidade, consistência e maior profundidade, imprimindo à psicologia de Jung uma identidade almada.(vividas a partir da sua experiência pessoal-de Jung-)- e é exatamente este período almado que fez com que a psicologia Junguiana fosse considerada por muitos intelectuais como também espiritual.

Em seu pensamento platônico, Jung entende a psique/alma como criativa, que constrói e desconstrói, criando a si mesma.

Sob essa ótica, entende a fantasia como realidade a linguagem da alma, bem como, encara a patologia(doenças) como um caminho que carrega um significado.

 
A alma é vista como um terceiro, um intermediário entre o espírito e a matéria, criando um intervalo de reflexão, um intervalo de leitura, entre as certezas espirituais e materiais.

Nesse sentido Jung foi, também, um precursor da psicossomática.
Pois ele entendeu corpo e alma como processos unidos numa interação, na qual um afeta o outro.


A alma está associada a equação pessoal sendo assim, o instrumento de captação do mundo, a instância psíquica que nos permite perceber a realidade.
(cada um percebe o mundo à sua maneira...porque cada um tem sua alma...somos singulares....)

No território da alma, realidade é fantasia e fantasia é realidade. Jung considera a alma como um sistema de matéria viva que movimenta o processo vital.
(Como a seiva de uma planta ).

A alma liga o divino à experiência, e nos remete àquilo que somos.

Todo o pensamento de Jung obedece a um movimento que tem uma direção, uma finalidade.
Assim, o psiquismo se organiza, construindo e desconstruindo, para conduzir o indivíduo em direção ao seu processo de individuação, isto é, dirige-o na busca de quem ele realmente é.

Para isso, há a necessidade de um eu que organize todas essas informações, e o corpo é primeiro elemento para a construção de nossa identidade.

 
A referência corporal nos permite  um conhecimento mais imediato de nós mesmos.
No corpo, são vivenciados os limites e possibilidades, as sensações agradáveis e desagradáveis que, aos poucos, vão dando forma à experiência humana.

Se não vivo com alma, simbolizo no corpo.

O corpo é o testemunho mais imediato e palpável dos processos psíquicos negligenciados.

Quando não é possível entender o apelo da alma o corpo a traduz. (através das doenças )

Quando a dor chega ao corpo, não há como negligenciá-la, ou prorrogar o cuidado que se faz necessário.

Frequentemente o adoecimento é  entendido e sentido como um mal.
E, partindo desta premissa, existe no ser humano uma tendência generalizada de, rapidamente, buscar a cura e o afastamento desse mal que se instalou trazendo a patologia.

É certo que não existe nenhum conforto no adoecimento, (não somos masoquistas ),mas Jung propôs um olhar mais cuidadoso, chamou a atenção para o significado que pode estar implícito em um sintoma.

Por exemplo a gripe: - “Pegamos ” o vírus da gripe quando não nos sentimos amados, quando estamos descuidados de nós mesmos.(baixa o nosso sistema imunológico)

Daí o que temos que fazer se ela (a gripe )for forte?
Parar com tudo. 
E receber cuidados de alguém.(e até de nós mesmos)- (é o tal cházinho da nossa mamãe, a sopinha da nossa avó)
Então a gripe seria  apenas um sintoma da falta do afeto, do cuidado, que naquele momento da nossa vida estamos vivendo/nos faltando.
Porque a doença nos faz parar com tudo e nos voltarmos para nós mesmos.

Jung defende a idéia de que, antes de se atacar um sintoma é necessário que as imagens psíquicas, que se apresentam através dele, sejam levadas em consideração.(porque adoeci?..qual é a causa?), já que nosso caráter extrovertido e imediatista, é que negligencia a alma e busca as soluções indolores e mágicas.(nos medicamentos).

Se não existe um entendimento mais profundo a respeito do sofrimento, permanece apenas o sofrimento, sem transformação ou significado.
(Por isto quando sofremos, (eu sei que é difícil) mas buscar nesta dor um sentido.....e isto é possível....e eu sei disto....eu sei que é possível....isto não é teoria)

A dor, o sofrimento faz parte da natureza humana..(
não adianta querer escapar).
A patologia pode, então, unir o que a hybris (Hybris é um termo grego que significa o desafio, o crime do excesso e do ultraje.) separou.

A reflexão produz cultura, consciência.
A reflexio é o elemento alquímico que permite ao homem transformar os fatos em experiências, dando-lhe condições de enxergar a si próprio e de fazer escolhas.

(A função dos sonhos é esta....enxergar-se a si próprio, para se transformar...mas refletindo a respeito das imagens que nele se fazem presentes.)

Assim, quando dizemos que uma pessoa “tem” alma, significa que ela mostra a sua sensibilidade desenvolvida, iniciando no seu próprio contato com o mundo interior.

 
A maneira como a pessoa trata seu mundo interior retrata sua alma.
E isso se manifesta também nas suas relações com as pessoas no seu cotidiano.
A percepção com mais equilíbrio entre os fatores externos e internos, é questão fundamental para a saúde psicológica, pois se um dos aspectos prevalecer o eu perde a sua flexibilidade.
Alma e persona (as máscaras que usamos para nossa sobrevivência e adaptação no mundo –necessárias se usadas com equilíbrio)  mantêm uma relação de simetria e complementação, podendo ser uma o espelho da outra.

Fernando Pessoa fala da alma, neste poema:

“Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive
.” 

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"Só depois que se ouve a alma, o espírito se manifesta."
 

Teresa 11.12.2009
 
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Personalidade Mana
 
Oitava consciência, iluminação ou individualização.

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Enviado por Maria Poesia em 11/12/2009
Alterado em 15/12/2009
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