Maria Poesia

Sonhos, Poesia e Psicologia

Textos




Sonhamos com bebês e crianças quando sentimos Saudades.

Saudades de nós mesmos!


Expressamo-nos nos sonhos através da linguagem que é mais facilmente acessível para nós.
Nosso corpo é o depositário da nossa identidade, nosso consciente,(o que conhecemos de nós mesmos) então capta o que acontece no nosso cotidiano, e transforma os acontecimentos em imagens dentro do nosso inconsciente.(o que não conhecemos de nós mesmos)

Quando sonhamos, estas imagens se transformam em símbolos, que se tornam um veículo conceitual da expressão e relação que temos conosco mesmos, com o outro e com o mundo.
Se quisermos podemos ter com este enredo onírico (sonhos) uma vivência íntima,cotidiana, permanente.


Podemos estabelecer com eles diálogos e acordos pessoais.
Uma sugestão, é assim que acordar anotá-los num diário pra ir pensando neles.
Assim vamos percebendo a sequência deles em nós.
É um "tempinho" que "roubamos" de nós, pra conversar conosco, no meio do tumulto que é muitas vezes o nosso dia-a-dia.

Quanto mais inconsciente (desconhecida) de si mesma for uma pessoa, menos chegará a entender seus sonhos, mais distante de si estará, e uma explicação rápida e "mágica " é o que mais vai querer achar.
 
Por isto nossos sonhos não devem ser entendidos como adivinhações e superstições.

E Sonhos com bebês e crianças, nos falam  de pedacinhos de nós esquecidos pelo caminho da nossa existência.
Por isto nossa alma sente saudades.
Saudades que nos fazem em sonhos resgatar os nossos "eus" perdidos pelo caminho.


Bebês são possibilidades de vida.
Crianças têm em si um mundo todo pra explorar, pra ser.....e viver!

Este tipo de sonhos vem nos mostrar que é tempo de perceber os nossos potenciais, quem sabe ainda inexplorados,ou as inúmeras fontes de criatividade procurando uma saída , ou serem vividos nessa altura de nossas vidas.

Sonhar com bebês chorando, sendo mutilados e maltratados é muito comum...
É quando nossa alma chora.
 
Nada.....nada fere mais nossa emoção, nossos sentimentos do que não sermos correspondidos naquilo que é importante pra nós, naquilo que temos de mais valioso.
O  amor.
Amar e não ser amado.
Nossos sonhos se desfazem pelo olhar de quem não nos ama....
........................e quantos destes olhares encontramos pelo mundo afora?

Estes olhares fazem com que esqueçamos de que valemos a pena e do que somos feitos, e assim de desamor em desamor, nossos “ eus ” vão ficando esquecidos, despedaçados e mutilados.
E nossos sonhos existem pra isto.
Pra nos resgatar.
Pra voltarmos a ser inteiros.

Sonhar com crianças então é escutar uma lamentação do nosso “eu ”chorando porque está incompleto...
Podemos ficar amargos com as decepções, com as injustiças e com a falta de reciprocidade no nosso querer bem.
 
Então nosso “bebê” interno chora....lembrando que é tempo de juntar os nossos pedaços....


Buscar na mãozinha que um dia tivemos a maciez e a doçura da nossa afetividade.
Da nossa intimidade e amorosidade.


Buscar no nosso pèzinho a leveza , mesmo que no nosso caminho haja espinhos...mas se pisarmos de leve os espinhos vão nos machucar menos.
 
 
Quando no sonho esquecemos os bebês é como se estivéssemos escondendo nossa vulnerabilidade, e/ou quando eles estão mutilados....e como se por dentro de nós escutássemos a voz da nossa alma dizendo:
 
 - Cuidem de mim porque a vida está me cansando.
Viver esta vida de adulto é muita responsabilidade.
Não quero tantos compromissos nesta vida.
O mundo,as pessoas....a vida, tudo em  volta me cobra atitudes que não quero, que não posso, que não sei ter.
Estou  me sentindo muito pressionada(o) com todos que me cercam.
Quero ser mais amada.(o),mais cuidada (o), quero mais afeto..compreensão....carinho.....
Quero mais liberdade, quero respirar mais....quero ser mais eu mesma(o), mesmo quando eu me mostrar tranquila(o), quero poder ser aceita(o), sem esta máscara, porque debaixo dela é que eu me escondo.
Na verdade mesmo quando minha aparência for tranquila, dentro de mim não há tranquilidade, complacência ou calma.
Por baixo dela (da minha máscara) está o meu eu real, em confusão, medo e abandono.
Mas eu oculto isto , pois não quero que ninguém veja.
Fico em pânico ante a possibilidade de que minha fraqueza fique exposta, é por isso que eu crio máscaras atrás das quais eu me escondo, com a fachada de quem não se deixa tocar, para me ocultar do
olhar que sabe.
Mas eu procuro este olhar.
Eu preciso de um olhar que me ame.
Como sou.
Frágil e com muito medo.
Medo que os olhares não sejam acompanhados de amor e aceitação.
Tenho medo que me menosprezem, que riam de mim, me ferindo.
Tenho medo de que lá dentro, no interior de mim mesma (o), eu não valha nada; e de que  acabem vendo e me rejeitando.
Então eu continuo a viver meus jogos, jogos de fingimento, com a fachada de segurança por fora e tremendo de medo por dentro.

Por isto eu choro.
Pra que você segure minha mão.
Você tem que me ajudar segurando a minha mão, mesmo quando esta seja a última coisa que eu aparente necessitar.
Cada vez que você é atencioso e encorajador, cada vez que você tenta compreender, procurando me ajudar, um par de asas nasce no meu coração.
Asas pequenas e frágeis, mas asas.”

 
Asas que tínhamos quando éramos crianças, onde ao mesmo tempo podíamos ser pássaros ou aviões voando livres.....pra onde nosso pensamento queria e sonhava.
Mas o tempo mudou tudo....ficamos adultos e as responsabilidades....as incompreensões, as colisões com a vida e com as pessoas
são inerentes neste ciclo da vida.

Assim como lá por volta dos 10 meses de idade, quando deixamos um pouquinho do nosso “bebê ” de lado e começamos a nos preparar para andar pelo mundo com nossas próprias pernas.
Lá naquela época começamos a nos agarrar nos objetos da casa pra levantarmos, percebemos que já estávamos conseguindo ficar de pé, que nossas pernas já estavam tão fortes que conseguiam sustentar nosso próprio peso.
E nós intuitivamente sabíamos disto, e começamos a explorar nossos limites.
Caimos, levantamos, nos machucamos, choramos, nos agarramos a coisas que eram frágeis e muitas vezes nos arrebentamos, quebramos os nossos dentinhos, ou abrimos portas e batemos com o nariz nelas, nos enfiando dentro de armários.
 
Da mesma forma é a vida de adultos.
Que mundo mais cheio de portas, de limites não é?
Erramos, batemos com o nariz nas portas que se abrem, e demoramos pra perceber nossa força, então, ou abrimos demais, ou de menos.
Entramos em “lugares ” pra brincar, pra explorar o mundo, mas ainda nos sentimos indefesos, e podemos cometer equívocos, sermos rejeitados.
E isto tudo acontece com todos nós.

A maturidade nos cobra responsabilidades e escolhas que exigem definições taxativas e estáticas sobre o que está fora de nós, e na maioria das vezes parece não haver um vislumbre de que as pessoas, ou os problemas ou as situações são impermanentes, são relativos, e que são imprevisíveis.
 
Sonhos com bebês chorando muitas vezes se tornam recorrentes, até que mudemos nossas atitudes, nos aceitando mais, entendendo nossa humanidade.
Sendo complacentes com nossas fragilidades e nossos erros.
E o mais importante.
Entendendo que nem todo mundo vai gostar de nós.
Que vamos encontrar muita gente que vai nos menosprezar, que vai nos ignorar.

Quando crianças ganhávamos atenção de todos, e quando isto não acontecia, o que fazíamos?
Batíamos o pé, esperneávamos.


Mas agora crescemos e nem adianta mais bater o pé, que nossos desejos não vão ser prioridade e nem  ser importantes pra mais ninguém muitas vezes.
Mas basta que eles sejam pra nós.
E é isto que nossos sonhos com bebês nos dizem....
 
- “Eu valho a pena....eu tenho em mim todas as possibilidades do mundo”.
 
Jung dizia que:
 
Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa".

 
Teresa 29.07.2009
 
 
Este artigo foi elaborado tendo como base a Psicologia Analítica Junguiana de Carl Gustav Jung.(Psiquiatra Suíço e discípulo de Freud).
 
Outros artigos sobre Sonhos, anexo links: (Para abrir pousar o mouse e clicar em cima)


Sonhar com traição – o que significa?
 
Sonhar com cemitério, caixão e pessoas que já morreram-o que significa?

 
Neste Link você poderá ler sobre o conceito de Sombra na Psicologia Junguiana:

https://www.facebook.com/sonhospoesiaepsicologia?ref=hl
 
 


 

 
Maria Poesia
Enviado por Maria Poesia em 29/07/2009
Alterado em 29/11/2014
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